

Dias melhores viro

 Max Lucado

Ed. Thomas Nelson Brasil, 2007
ISBN: 9788560303366

Digitalizado por zica

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SEMEADORES DA PALAVRA e-books evanglicos


SUMRIO
       
       Introduo        4
       1. ONDE EST DEUS?        7
       2. O GRANDE AMOR DE DEUS        13
       3. COM OS OLHOS NO PAI        27
       4. O BEM TRIUNFA        34
       5. O GOSTO AMARGO DA VINGANA        47
       6. NO SILENCIO DEUS FALA,        54
       7. NA TEMPESTADE, ORAMOS        63
       8. PELA PERSPECTIVA DE DEUS        68
       FAZE-O NOVAMENTE, SENHOR        74
       NOTAS        77


Introduo 
Quando os fundamentos
esto sendo destrudos
        "O que pode fazer a pessoa honesta quando as leis e os bons costumes so desprezados?" O SENHOR Deus est no seu santo Templo; o seu trono est no cu. Ele 
v todas as pessoas e sabe o que elas fazem. Salmo 11:3, 4 (Nova Traduo na Linguagem de Hoje)
          A pergunta de Davi no  nossa tambm? -- Quando os fundamentos esto sendo destrudos, que pode fazer o justo? Quando a doena ataca, quando o casamento 
acaba, quando os filhos sofrem e quando a morte nos assalta, o que devemos fazer? 
        Curiosamente, Davi no responde  sua pergunta com uma resposta, mas com uma declarao: "O SENHOR Deus est no seu santo Templo; o seu trono est no cu." 
        Sua inteno  inconfundvel: Deus no muda por causa de nossas tempestades. Ele no recua diante de nossos problemas. Ele no se espanta com esses problemas. 
Ele est no seu santo templo. Ele est no seu trono nos cus. Prdios podem cair, carreiras podem desmoronar, mas Deus, no. Destroos e escombros nunca o desanimaram. 
Deus sempre transformou a tragdia em triunfo. No foi isso que ele fez com Jos? Observe Jos na priso no Egito - seus irmos o venderam; a esposa de Potifar o 
entregou. Se o seu mundo est desabando, o mesmo aconteceu com Jos. Ou considere Moiss, cuidando dos rebanhos no deserto. Era isso que ele pretendia fazer com 
sua vida? Dificilmente. Seu corao batia com o sangue judeu; sua paixo era liderar os escravos. Por que ento Deus o deixou conduzindo ovelhas? E Daniel. O que 
dizer de Daniel? Ele estava entre os mais brilhantes e melhores jovens de Israel, o que equivalia a ser um cadete de uma famosa academia militar ou estudante de 
uma faculdade de altssimo nvel. Mas ele e toda a sua gerao foram levados de Jerusalm. A cidade estava destruda. O templo estava em runas. Jos estava na priso. 
Moiss estava no deserto. Daniel estava preso. Esses eram momentos tenebrosos. Quem poderia ver algo de bom neles? Quem poderia imaginar que a priso de Jos era 
apenas um estmulo para transform-lo no primeiro-ministro? Quem teria imaginado que Deus estava dando a Moiss um treinamento de quarenta anos no deserto por meio 
do qual ele lideraria o povo? E quem poderia ter imaginado que Daniel, o prisioneiro, logo seria o conselheiro do rei? Deus faz coisas assim. Ele fez com Jos, com 
Moiss, com Daniel, e, principalmente, ele fez com Jesus. Em nossos momentos mais difceis, talvez vejamos o que os seguidores de Cristo viram na cruz. A inocncia 
sacrificada. A bondade assassinada. A fortaleza dos cus atravessada. Mes choravam, o mal danava e os apstolos tinham de se perguntar: O que pode fazer a pessoa 
honesta quando a lei e os bons costumes so desprezados? Deus respondeu  pergunta deles com uma declarao. Com o rumor da terra e o rolar da pedra, ele os fez 
se lembrar: "O SENHOR Deus est no seu santo Templo; o seu trono est no cu." E, hoje, devemos lembrar que ele ainda est l. Ele ainda est no seu templo, ainda 
est no seu trono, ainda est no controle. E ele ainda converte prisioneiros em prncipes, cativos em conselheiros, e transforma dias difceis em tempos de descanso. 
O que ele fez em situaes como essas, ele voltar a fazer. Cabe a ns pedir que ele o faa. Nestas pginas, faremos perguntas que nos afligem durante momentos difceis: 
Quem  o nosso Deus? Onde est Deus em tudo isso? O bem pode resultar do mal? E a orao - ser que Deus realmente est nos ouvindo? Enquanto examinamos juntos essas 
perguntas, oro para que a paz e o entendimento de Deus toquem o seu corao e tragam cura ao seu esprito. Max Lucado
         

CAPTULO
1 
ONDE EST DEUS?
       Quando acontece uma tragdia, seja pessoal, nacional ou global, as pessoas se perguntam como Deus pde permitir que tais coisas acontecessem. No que ele estava 
pensando? Ele realmente est no controle? Podemos confiar a conduo do universo a algum que permite isso? 
        importante reconhecer que Deus habita uma esfera diferente. Ele ocupa outra dimenso. "Os meus pensamentos no so os pensamentos de vocs, nem os seus 
caminhos so os meus caminhos... Assim como os cus so mais altos do que a terra, tambm os meus caminhos so mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, 
mais altos do que os seus pensamentos" (Isaas 55:8, 9).
       D uma ateno especial  comparao implcita. Os pensamentos de Deus no so os nossos pensamentos, nem so como os nossos. Nem estamos na mesma vizinhana. 
Estamos pensando: preserve o corpo; ele est pensando: preserve a alma. Sonhamos com um aumento de salrio; ele sonha ressuscitar os mortos. Evitamos a
dor e procuramos paz; Deus usa a dor para trazer paz. "Vou viver antes de morrer", decidimos; "Morra para que voc possa viver", ele instrui. Gostamos do que enferruja; 
ele gosta do que dura. Alegramo-nos com nossos sucessos; ele se alegra com nossas confisses. Mostramos aos nossos filhos o astro da Nike exibindo um sorriso de 
um milho de dlares e dizemos: "Seja como Ronaldo"; Deus aponta para o carpinteiro crucificado que tem os lbios manchados de sangue e um dos lados dilacerado e 
diz: "Seja como Cristo".
       Nossos pensamentos no so como os pensamentos de Deus. Nossos caminhos no so como os seus caminhos. Ele tem uma agenda diferente. Habita uma outra dimenso; 
vive em outro plano. 
Os cus declaram a glria de Deus;
o firmamento proclama a obra de suas mos.
Um dia fala disso a outro dia;
uma noite o revela a outra noite.
Sem discurso nem palavras,
no se ouve a sua voz.
Mas a sua voz ressoa por toda a terra,
e as suas palavras, at os confins do mundo.
(Salmo 19:1-4)

       A natureza  a oficina de Deus. O cu  o seu currculo. O universo  seu carto de visita. Voc quer saber quem  Deus? Veja o que ele fez. Voc quer conhecer 
o poder de Deus? D uma olhada em sua criao. Est curioso para saber sobre a fora de Deus? Faa uma visita  sua casa: Avenida Um Bilho de Estrelas do Cu. Quer 
saber qual  o tamanho de Deus? Saia  noite e olhe para a luz das estrelas emitida h um milho de anos e depois leia 2 Crnicas 2:6: "Quem  capaz de construir 
um templo para ele [Deus], visto que os cus no podem cont-lo, nem mesmo os mais altos cus?"
Ele no se contamina com a atmosfera do pecado,
no  controlado pela linha do tempo da histria,
no  impedido pelo cansao do corpo.
       O que controla voc no controla Deus. O que preocupa voc no preocupa Deus. O que cansa voc no cansa Deus. A guia se incomoda com o trfego? 
       No, ela voa acima dele. A baleia fica inquieta com um furaco?  claro que no; ela mergulha abaixo dele. O leo se agita com um rato no meio de seu caminho? 
No, ele pisa no rato. 
       E quo mais Deus  capaz de voar acima e mergulhar abaixo de nossos problemas e pisar neles? "O que  impossvel para o homem  possvel para Deus" (veja 
Mateus 19:26). Nossas perguntas traem nosso entendimento: 
       Como Deus pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo? (Quem diz que Deus est preso ao corpo?) 
       Como Deus pode ouvir todas as oraes que chegam at ele? (Talvez os ouvidos de Deus sejam diferentes dos seus).
       Como Deus pode ser o Pai, o Filho e o Esprito Santo? ( possvel que o cu tenha um conjunto de leis fsicas diferente do da terra?) 
       Se as pessoas aqui da terra no me perdoarem, at que ponto serei eu culpado diante de um Deus santo? (Oh,  exatamente o contrrio. Deus sempre pode conceder 
graa quando ns, humanos, no podemos - foi ele quem a inventou.)
       Como  vital que oremos munidos do conhecimento de que Deus est no cu. Oremos com uma convico um pouco menor e nossas oraes sero tmidas, superficiais 
e vazias. Erga os olhos, veja o que Deus fez e observe como suas oraes so estimuladas.
       Esse conhecimento nos d confiana enquanto enfrentamos o futuro incerto. Sabemos que Deus est no controle do universo e, por isso, podemos descansar seguros. 
Mas tambm  importante o conhecimento de que este Deus que est no cu escolheu se inclinar para a terra para ver a nossa aflio e ouvir as nossas oraes.
       Ele no est to acima de ns a ponto de no ser tocado por nossas lgrimas.
       Embora no possamos ver seu propsito ou seu plano, o Senhor do cu est no seu trono e no firme controle do universo e de nossa vida. Assim, ns lhe confiamos 
o nosso futuro. Ns lhe confiamos a nossa vida.
       

CAPTULO
2
O GRANDE AMOR DE DEUS
       
       Seu canto fez com que aquilo acontecesse. Inicialmente, no notei; no havia motivos para que eu percebesse algo. As circunstancias eram comuns: um pai buscava 
a filha de seis anos em uma reunio de escoteiras. Sara gosta da associao de Escoteiros; ela gosta dos prmios que ganha e do uniforme que usa. Ela entrou no carro 
e me mostrou seu novo distintivo e alguns biscoitos que havia acabado de sair do forno. Virei a rua, coloquei sua musica preferida e voltei minha ateno para questes 
mais complicadas que envolviam agendas e obrigaes.
       Mas pouco depois de entrar no labirinto do pensamento, voltei. Sara estava cantando. Cantando, sobre Deus. Cantando para Deus. Cabea para trs, queixo levantado 
e pulmes cheios; ela enchia o carro de musica. As harpas do cu pararam para ouvir.
       Aquela  minha filha? Ela parece mais velha. Parece mais velha, mais alta e at mais bonita. Ser que dormi e perdi alguma coisa? O que aconteceu com as bochechas 
gorduchas? O que aconteceu com o rostinho e os dedinhos grossos? Ela est se tornando uma jovem. Cabelos loiros caem sobre seus ombros. Os ps esto balanando no 
banco. Em algum lugar, durante a noite, uma pagina foi virada e... - bem, olhe para ela!
       Se voc  pai ou me, sabe o que quero dizer. Ainda ontem, seu filho usava fraudas. Hoje, ele quer as chaves do carro? De repente, seu filho est na metade 
do caminho para ir para a faculdade e esto acabando suas chances de demonstrar seu amor por ele; e por isso voc fala.
       Foi o que fiz. A musica parou, e Sara parou. Eu ejetei a fita, pus minha mo no ombro dela e disse:
       - Sara, voc  muito especial.
       Ela se virou e sorriu de modo tolerante.
       - Algum dia, um rapaz de pernas peludas vai roubar seu corao e lev-la para o prximo sculo. Mas, neste momento, voc  minha.
       Ela inclinou a cabea, olhou para fora por um minuto, depois olhou para mim novamente e perguntou:
       - Pai, por que voc est to estranho?
       Acho que essas palavras pareciam esquisitas para uma menina de seis anos. O amor de um pai ou de uma me soa estranho aos ouvidos de uma criana. Meu acesso 
de emoo estava alem da compreenso de Sara; mas isso no me impediu de falar.
       No h como nossa mente pequena compreender o amor de Deus; mas isso no o impede de vir ate ns.
       E ns, tambm, inclinamos nossa cabea. Como Sara, nos perguntamos o que o nosso Pai estava fazendo. Do bero em Belm a cruz em Jerusalm, pensamos no amor 
do nosso Pai. O que voc pode dizer para esse tipo de emoo? Ao descobrir que Deus preferiria morrer a viver sem voc, qual  a sua reao? Como voc pode comear 
a explicar tal paixo? Se voc fosse o apostolo Paulo, no poderia. Voc faz afirmaes; no d explicaes. Voc faz algumas perguntas.
       Essas perguntas no so novas para voc. Voc j as fez antes.  noite, voc as fez; nos momentos de raiva, voc as fez. O diagnostico de um mdico as trouxe 
a tona, assim como a deciso no tribunal, o telefonema do banco e as tragdias incompreensveis que ocorrem em nosso mundo. As perguntas so exames da dor, do problema 
e da circunstancia. No, as perguntas no so coisas novas, mas talvez as respostas sejam.
Se Deus  por ns, quem ser contra ns?
(ROMANOS - 8:31)

       A pergunta no  simplesmente: "Quem ser contra ns?" Voc poderia responder a essa pergunta. Quem  contra voc? A doena, a inflao, a corrupo, a exausto. 
As calamidades confrontam e os medos aprisionam. Se a pergunta de Paulo fosse: "Quem ser contra ns?", poderamos listar nossos inimigos com muito mais facilidade 
do que lutar contra eles. Mas essa no  a pergunta. A pergunta : Se Deus  por ns, quem ser contra ns?
       Perdoe-me por um momento. Quatro palavras neste versculo merecem sua ateno. Lei lentamente a frase: "Deus  por ns". Por favor, pare por um instante antes 
de continuar. Leia-o novamente, em voz alta. (peo desculpas  pessoa que est ao seu lado). Deus  por ns. Repita a frase quatro vezes, desta vez enfatizando cada 
palavra. (Vamos l, voc no est com tanta pressa assim!)
       Deus  por ns.
        Deus  por ns.
        Deus  por ns.
       Deus  por ns.
       Deus  por voc. Seus pais podem ter se esquecido de voc, seus professores podem t-lo ignorado, seus irmos podem ter vergonha de voc, mas ao alcance de 
suas oraes est o Criador dos oceanos - Deus!
       Deus  por voc. No "pode ser", no "foi", no "era", no "seria", mas "Deus !" Ele  por voc. Hoje. Neste momento. Neste minuto. Enquanto voc l esta 
frase. No  preciso esperar em uma fila ou voltar amanh. Ele est com voc. Ele no poderia estar mais perto do que est neste segundo. A lealdade de Deus no 
ser maior se voc for melhor nem menor se voc for pior. Ele  por voc.
       Deus  por voc. Vire-se para a linha lateral; l est Deus torcendo pela sua corrida. Olhe para a linha de chegada; l est Deus aplaudindo seus passos. 
Oua-o nas arquibancadas, gritando seu nome. Cansado demais para continuar? Ele ir carreg-lo. Desanimado demais para lutar? Ele o est levantando. Deus  por voc.
       Deus  por voc. Se Ele tivesse um calendrio, o dia do seu aniversario estaria destacado por um circulo. Se ele dirigisse um carro, seu nome estaria no pra-choque. 
Se houvesse uma arvore no cu, Ele gravaria seu nome em sua casca. Sabemos que Ele tem uma tatuagem e sabemos o que ela diz. "Eu gravei voc nas palmas das minhas 
mos" (Isaias 49.16).
       "Haver me que possa esquecer seu beb que ainda mama e no ter compaixo do filho que gerou?", pergunta Deus em Isaias 49.15. Que pergunta estranha! Voc, 
me, consegue imaginar seu filho mamando e, depois, mais tarde, perguntar: "Qual era o nome dessa criana?" No. Eu a vejo cuidar de seu filho. Voc acaricia seus 
cabelos, toca-lhe o rosto, cantarola o nome dele repetidas vezes. Uma me consegue se esquecer? De modo algum. Contudo, "embora ela possa esquec-lo, eu no me esquecerei 
de voc!", promete Deus (Isaias 49.15).
       Deus est com voc. E, sabendo disso, quem  contra voc? A morte pode prejudic-lo agora? A doena pode roubar sua vida? Seu objetivo pode ser levado ou 
seu valor diminudo? No. Ainda que o prprio inferno possa se pr contra voc, ningum pode derrot-lo. Voc est protegido. Deus est com voc.
Aquele que no poupou seu prprio Filho, - mas 
o entregou por todos ns, - como no nos dar 
juntamente com ele, e de graa, todas as 
coisas?
(Romanos - 8:32)
       
       Imagine um homem que se depara com uma criana sendo espancada por delinqentes.
       Ele se atira no meio da confuso, salva o menino e o leva para um hospital. O garoto recebe cuidados ate se restabelecer. O homem paga o tratamento da criana. 
Descobre que a criana  rf, a adota e lhe d o seu nome. E ento, certa noite, depois de meses, o pai ouve o filho chorando no travesseiro. Ele vai ate o filho 
e pergunta o motivo de sua tristeza.
       - Estou preocupado, pai. Estou preocupado com o dia de amanh. Onde vou conseguir comida para comer? Como vou comprar roupas para continuar aquecido? E onde 
vou dormir?
       Com toda a razao, o pai fica preocupado.
       - Eu no lhe mostrei? Voc no entende? Arrisquei minha vida para salv-lo. Dei meu dinheiro para trat-lo. Voc usa meu nome. Eu o chamei de meu filho. Eu 
faria tudo isso e depois no supriria suas necessidades?
       Esta  a pergunta de Paulo. Aquele que entregou seu Filho no supriria nossas necessidades?
       Mas ainda assim, nos preocupamos. Preocupamo-nos com a Receita Federal, com o vestibular e com a FBI. Preocupamo-nos com a educao, a recreao e com um 
resfriado. Preocupamo-nos com a possibilidade de no termos dinheiro suficiente e, quando o temos, nos preocupamos porque no estamos certos de que conseguiremos 
administr-lo bem. Preocupamo-nos porque o mundo acabar antes de o parqumetro vencer. Preocupamo-nos com o que o cachorro pensar se ele nos vir quando estivermos 
saindo do chuveiro. Preocupamo-nos porque, algum dia, descobriremos que aquele iogurte light engordava.
       Agora me diga honestamente: Deus salvou voc para que voc se preocupasse? Ele o ensinaria a andar s para v-lo cair? Ele seria pregado na cruz por seus 
pecados e, depois, desprezaria suas oraes? Vamos l! As escrituras esto nos provocando quando dizem: "Porque a seus anjos Ele dar ordens a seu respeito, para 
que o protejam em todos os seus caminhos. (SALMOS 91:11)?
       No creio que estejam.
Quem nos separar do amor de Cristo?
(Romanos - 8:35)
       
       A est. Esta  a pergunta. Aqui est o que queremos saber. Queremos saber at quando o amor de Deus durar. Deus realmente nos ama para sempre? No s no 
domingo de pscoa, quando nossos sapatos esto lustrados e nosso cabelo arrumado. Quero saber (l no ntimo, todos queremos saber, no  mesmo?) como Deus se sente 
em relao a mim quando sou um idiota? No quando estou animado, confiante e pronto para lidar com a fome do mundo; nessa hora, no. Sei como ele se sente com relao 
a mim em momentos como esses - at eu gosto de mim nessas ocasies.
       Quero saber como ele se sente com relao a mim quando sou rspido com qualquer coisa que se move, quando meus pensamentos so terrveis, quando minha lngua 
est afiada o suficiente para cortar uma pedra. Como ele se sente em relao a mim nesses momentos?
       E quando coisas ruins acontecem - Deus se preocupa? Ele me ama em meio ao medo? Ele est comigo quando o perigo est a espreita? Deus deixar de me amar?
       Esta  a questo. Esta  a preocupao. Oh, voc no diz; voc nem pode saber. Mas eu posso v-lo em seu rosto. Posso ouvi-lo em suas palavras. Ser que exagerei 
nesta semana? Na ultima tera-feira, quando bebi vodca ate no conseguir andar... na ultima quinta-feira, quando meus negcios me levaram a um lugar que no tinha 
nada a ver... no ultimo vero, quando amaldioei o Deus que me criou enquanto eu estava em p ao lado do tumulo do filho que Ele me deu?
       Ser que fui longe demais? Esperei demais? Falhei demais? Estava duvidoso demais? Com medo demais? Irado demais com a dor neste mundo?
        isso que queremos saber.
       Quem nos separar do amor de Cristo?
       Deus respondeu a nossa pergunta antes que a formulssemos. Para que vssemos a resposta, Ele iluminou o cu com uma estrela. Para que a ouvssemos, ele encheu 
a noite de um coral. E para que crssemos, ele fez o que nenhum homem jamais sonhou - ele se fez carne e habitou entre ns.
       Ele ps sua mo no ombro da humanidade e disse: "Voc  muito especial".
       Sem estar limitado pelo tempo, Ele nos v a todos. Desde o lugar mais remoto da Virginia ao centro empresarial de Londres; desde os vikings aos astronautas; 
desde os moradores de cavernas aos mestres-de-obras; Ele nos v. Errantes e maltrapilhos, Ele nos viu antes de nascermos.
       Ele ama o que v. Transbordando de emoo, vencendo o orgulho, o Criador das estrelas se vira para ns, um por um, e diz: "Voc  meu filho. Eu o amo muito. 
Sei que algum dia, voc se afastar de mim e ir embora. Mas quero que voc saiba que j estabeleci um caminho de volta".
       E para provar, Ele fez algo extraordinrio.
       Deixando seu trono, Ele tirou seu manto de luz e se revestiu de pele: da pele humana pigmentada. A luz do universo entrou em um ventre escuro e molhado. Aquele 
a quem os anjos adoram aconchegou-se na placenta de uma camponesa, nasceu na noite fria e, depois, dormiu sobre o feno destinado a uma vaca.
       Maria no sabia se lhe dava leite ou louvor, mas lhe deu ambas as coisas, uma vez que Ele estava, ate onde ela podia imaginar, com fome e era santo.
       Jos no sabia se o chamava de Junior ou Pai. Mas, no final, ele o chamou de Jesus, seguindo as palavras do anjo e reconhecendo no ter a mnima idia do 
nome que deveria dar a um Deus que ele poderia embalar nos braos.
       Nem Maria nem Jos foram to diretos como minha Sara em suas palavras, mas voc no acha que a cabea deles se inclinou e a mente se perguntou: Afinal, o 
que voc est fazendo, Deus? Ou, melhor: Deus, o que voc est fazendo no mundo?
       - Alguma coisa pode me fazer parar de amar voc? - pergunta Deus. - Escuta falar a sua lngua, dormir na sua terra e sentir as suas dores. Veja o Criador 
da viso e do som enquanto Ele espirra, tosse e assoa o nariz. Voc me pergunta se eu entendo como voc se sente? Olhe nos olhos alegres da criana em Nazar;  
Deus indo para a escola. Pense na criancinha a mesa de Maria;  Deus derramando o leite.
       - Voc se pergunta at quando meu amor durar? Encontre sua resposta em uma cruz cheia de lascas, em uma colina escarpada. Sou Eu, seu Criador, seu Deus, 
que voc v l em cima. Transpassado por cravos e jorrando sangue; todo cuspido e molhado pelo pecado.  o seu pecado que estou sentindo.  sua morte que estou morrendo. 
 a sua ressurreio que estou vivendo. Isso  o quanto eu amo voc.
       - Alguma coisa pode nos separar? - pergunta o Filho primognito. Oua a resposta e firme seu futuro nas palavras de Paulo: "Estou convencido de que, nem a 
morte, nem a vida, nem anjos, nem demnios, nem o presente, nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criao 
ser capaz de nos separar do amor de Deus, que est em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:39). 
       

CAPTULO
3
COM OS OLHOS NO PAI
       
        duas vezes melhor para ns pensarmos em Deus do que pensarmos em qualquer outra pessoa ou coisa. Deus quer que comecemos e terminemos nossas oraes pensando 
nEle. Quanto mais focados estivermos nas coisas l do alto, mais inspirados estaremos aqui na terra.
          Ampliar. Ao ampliar um objeto, voc o aumenta para que possa entend-lo. Quando ampliamos Deus, fazemos o mesmo. Aumentamos nossa conscincia acerca dEle 
para que possamos entend-lo melhor.  exatamente isso o que acontece quando adoramos - tiramos nossa mente de ns mesmos e a colocamos em Deus; a nfase est nEle.
       Gosto do modo como a ultima frase da Orao do Senhor  traduzida na The Message [a mensagem] (Mateus 6.13):
       
Voc est no comando!
Voc pode fazer o que quiser!
Voc resplandece na beleza!
Sim. Sim. Sim.

       Poderia ser mais simples? Deus est no comando! Este conceito no  estranho para ns. Quando o garom do restaurante lhe traz um hambrguer frio e um refrigerante 
quente, voc quer saber quem  o chefe dele. Quando um camarada jovem quer impressionar sua namorada, ele a leva a loja de convenincia onde ele trabalha e diz, 
com orgulho: "Toda noite, das cinco as dez, eu sou o chefe aqui". Sabemos o que significa estar no comando de um restaurante ou de uma loja. Mas e estar no comando 
do universo?  isso que Jesus declara.
       
          
Esse poder Ele [Deus] exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se  sua direita, nas regies celestiais, muito acima de todo governo e 
autoridade, e poder, e domnio, e de todo nome que se possa mencionar, no apenas nesta era, mas tambm na que h de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de 
seus ps e o designou cabea de todas as coisas para a igreja.
(Efsios 1.20-22, nfase minha)

       H muitos exemplos acerca da autoridade de Jesus, mas s mencionarei um de meus favoritos. Jesus e os discpulos esto em um barco atravessando o mar da Galilia. 
Uma tempestade surge de repente, e o que era calmo fica violento - ondas terrveis se levantam do mar e batem na embarcao. Marcos descreve claramente a cena: "Levantou-se 
um forte vendaval, e as ondas se lanavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de gua" (Marcos - 4:37).
        muito importante que voc tenha uma imagem precisa, por isso vou pedir que se imagine no barco. Trata-se de um barco forte, mas no propicio para essas 
ondas de trs metros de altura. Ele lana a proa, primeiro, em direo a parede de gua. A fora das ondas inclina perigosamente o barco ate a proa parecer apontada 
para o cu. E quando voc comea a temer que o barco vire para trs, ele se lana para a frente e cai no vale de outra onda. Inmeras mos se unem as suas para agarrar 
o mastro. Todos os seus companheiros de barco esto com a cabea molhada e os olhos arregalados. Voc tenta ouvir uma voz que traga calma, mas tudo o que ouve so 
gritos e preces. De repente, lhe ocorre uma coisa - falta algum. Onde est Jesus? Ele no est no mastro. Ele tambm no est agarrado a canto algum. Onde Ele est? 
Ento voc ouve algo - um barulho..., um som deslocado... Era como se algum estivesse roncando. Voc se vira e olha, e l est Jesus, enrolado na popa do barco, 
dormindo!
       Voc no sabe se fica surpreso ou furioso, ento sente ambas as coisas. Como Ele pode dormir em um momento como esse? Ou, como perguntaram os discpulos: 
"Mestre, no te importas que morramos?" (Marcos 4.38).
       A tempestade que deixou os discpulos em pnico o deixa com sono. O que ps medo nos olhos deles o ps para dormir. O barco era um tumulo para os seguidores 
de Jesus e um bero para Cristo. Como Ele podia dormir durante a tempestade? Simples - Ele estava no comando do barco.
Ele, se levantou, repreendeu o vento, e disse ao mar: "Aquieta-te! Acalme-se!" O vento se aquietou, e fez-se completa bonana.
Ento perguntou aos seus discpulos: "Por que vocs esto com tanto medo? Ainda no tem f?"
(Marcos 4.39,40)
       
       Incrvel. Ele no entoa um mantra ou balana uma varinha mgica. Nenhum anjo  chamado; nenhuma ajuda  necessria. O mar enfurecido se acalma no mesmo instante. 
Uma calma imediata. Nem uma onda. Nem uma gota. Nem uma rajada de vento. Em um instante, o mar deixa de ser uma torrente agitada para ser um lago tranqilo. Qual 
a reao dos discpulos? Leia no versculo 41: "Quem  este que at o vento e o mar lhe obedecem?"
       Eles nunca conheceram um homem como aquele. As ondas estavam sujeitas a Ele, e os ventos eram seus servos. E isso era apenas o comeo daquilo que os companheiros 
de mar de Jesus testemunhariam. Antes de tudo acabar, eles veriam peixes pularem para dentro do barco; demnios se precipitarem em porcos; paralticos passarem a 
danar e cadveres se tornarem pessoas vivas e com flego de vida. "At aos espritos imundos Ele d ordens, e eles lhe obedecem!" (Marcos 1.27).
        de admirar que os discpulos estivessem dispostos a morrer por Jesus? Eles nunca haviam visto tal poder; nunca haviam visto tal gloria. Era como... Bem, 
era como se todo o universo fosse o reino de Jesus. Voc no teria necessidade de explicar esse versculo para eles; eles saberiam o que ele significava: "Porque 
teu  o Reino, o poder e a glria para sempre" (Mateus 6:13).
       Na verdade, seriam dois desses pescadores resgatados a declarar a autoridade de Jesus mais claramente. Veja o que diz Joo: "Aquele que est em vocs  maior 
do que aquele que est no mundo" (I Joo 4:4). Veja o que diz Pedro: "[Jesus] subiu aos cus e est a direita de Deus; a Ele esto sujeitos anjos, autoridades e 
poderes" (1 Pedro 3.22).
        justo que eles declarem a autoridade de Jesus.  justo que faamos o mesmo. E, quando o fazemos, declaramos sem duvida: o governador do universo governa 
o nosso corao.
       

CAPTULO
4
O BEM TRIUNFA
       
       Como Deus pode permitir que o mal traga destruio e perda  nossa vida? Por que Ele no nos protege dos que cometem atos pecaminosos e maus? Nosso corao 
di, nossas perguntas se agitam. E, no obstante, vimos a bondade surgir da tragdia e da dor - feitos hericos, a compaixo abnegada, um senso de comunidade do 
tipo "todos por um". De algum modo, em meio a algo mau, a bondade luta para prevalecer.
       , de fato, possvel que algo mau pudesse acabar por ser usado para o bem? Para responder essa a pergunta, temos de olhar para trs - para o comeo do prprio 
mal.
       Duas vezes, nas Escrituras, a cortina do tempo se abre e nos  concedida um vislumbre da aposta mais insensata da historia. Satans era um anjo que no estava 
contente de estar perto de Deus; ele tinha de estar acima de Deus. Lcifer no estava satisfeito em prestar adorao a Deus; queria ocupar o trono de Deus.
       De acordo com Ezequiel, no havia entre os anjos algum que tivesse a beleza e a maldade de satans:
Voc era o exemplo da perfeio,
Cheio de sabedoria e de perfeita beleza.
Voc estava no den, 
No jardim de Deus;
Todas as pedras preciosas o enfeitavam...
Caminhava entre as pedras fulgurantes.
Voc era inculpvel em seus caminhos
Desde o dia em que foi criado
Ate que se achou maldade em voc.
(Ezequiel 28.12-15)

       Os anjos, como humanos, foram criados para servir e adorar a Deus. Foi dado aos anjos, como aos humanos, o livre-arbtrio. Do contrario, como eles poderiam 
adorar? Tanto Isaias como Ezequiel descrevem um anjo mais poderoso do que qualquer humano, mais belo do que qualquer criatura, porem mais tolo do que qualquer ser 
que j tenha existido. Seu orgulho foi a razao de sua queda.
       A maioria dos estudiosos aponta Isaias 14.13,14 como a descrio da queda de Lcifer:

Subirei aos cus;
Erguerei o meu trono
Acima das estrelas de Deus;
Eu me assentarei no monte da assemblia,
No ponto mais elevado do monte santo.
Subirei mais alto que as mais altas nuvens;
Subirei como o Altssimo.

       Voc no pode perder a cadencia de arrogncia nas palavras: "Subirei... erguerei... me assentarei... subirei... serei". Uma vez que tentou ser Deus, satans 
se afastou de Deus e passou a historia tentando convencer-nos a fazer o mesmo. No foi essa estratgia que ele usou com Eva? "Vocs [sero] como Deus", ele prometeu 
(Genesis 3.5).
       Ele no mudou.  to egocntrico agora como era naquele tempo.  to tolo agora como era naquele tempo. E  simplesmente to limitado agora como era naquele 
tempo. Mesmo quando o corao de Lcifer era bom, ele era inferior a Deus. Todos os anjos so inferiores a Deus. Deus conhece tudo; eles s conhecem o que Deus revela. 
Deus est em todos os lugares; eles s podem estar em um nico lugar. Deus  todo-poderoso; os anjos s so poderosos at onde Deus lhes permitem ser. Todos os anjos, 
incluindo satans, so inferiores a Deus. E isso talvez surpreenda voc: satans ainda  sevo de Deus.
       Ele no quer ser. No pretende ser. No gostaria de nada menos do que construir seu prprio reino, mas ele no pode. Toda vez que tenta promover sua causa, 
ele acaba por promover a causa de Deus.
       Erwin Lutzer articula este pensamento em seu livro A serpente do paraso:
O diabo  to servo de Deus em sua rebelio quanto era nos dias de sua doce obedincia... No podemos citar Lutero com muita freqncia: o diabo  o diabo de Deus.
Satans tem papeis diferentes a desempenhar, dependendo do conselho e dos propsitos de Deus. Ele tem por obrigao o servio de cumprir a vontade de Deus no mundo; 
ele deve fazer o que o todo-poderoso disser. Devemos lembrar que ele tem poderes terrveis; mas saber que esses poderes s podem ser exercidos sob a direo e o 
agrado de Deus nos d esperanas. Satans no est simplesmente livre para devastar as pessoas a vontade1.

       Satans est fazendo o que o todo-poderoso diz? Est buscando a permisso de Deus? Tal linguagem soa estranha aos seus ouvidos? Talvez. Se for o caso, voc 
pode estar certo de que satans preferiria que voc no ouvisse o que estou para dizer. Ele preferiria certamente que fosse enganado a pensar nele como uma foca 
independente com poder ilimitado. Satans no tem nenhum poder, exceto o poder que Deus permite.
       Ele preferiria que voc nunca ouvisse as palavras de Joo: "Aquele que est em voc [o Esprito de Deus]  maior do que aquele que est no mundo [o diabo]" 
(1 Joo 4.4). E ele, certamente, preferiria que voc nunca descobrisse como Deus usa o diabo como um instrumento para promover a causa de Cristo.
       Como Deus usa satans para fazer a obra do cu? Deus usa satans para:
1. Aperfeioar os fieis. Todos temos a doena do mal. At o mais manso entre ns tem uma tendncia a se admirar excessivamente. Ao que parece, o apostolo Paulo tambm. 
Seu currculo impressionava: uma audincia pessoal com Jesus, um participante das vises celestiais, um apostolo escolhido por Deus, um autor da Bblia. Ele curou 
os doentes, viajou pelo mundo e escreveu alguns dos maiores documentos da historia. Poucos poderiam se igualar a ele em termos de realizaes. E talvez ele soubesse 
disso. Talvez tenha havido um momento em que Paulo comeou a se fazer elogios. Deus, que amava Paulo e odiava o orgulho, protegeu Paulo contra o pecado. E ele usou 
satans para isso.
Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelaes, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de satans, para me atormentar.
(2 Corntios 12.7)

       No nos  dito qual  a natureza do espinho, mas nos  dito qual  o seu propsito - manter Paulo humilde. Tambm nos  revelado a sua origem - um mensageiro 
de satans. O mensageiro poderia ter sido uma dor, um problema ou uma pessoa que fosse um tormento. No sabemos. Mas sabemos que o mensageiro estava sob o controle 
de Deus. Por favor, observe o que Paulo diz a seguir:

Trs vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: "A minha graa  suficiente para voc, pois o meu poder se aperfeioa na fraqueza". 
(vs. 8,9)

       Satans e suas foras foram simplesmente ferramentas nas mos de Deus para fortalecer um servo.
       Outro exemplo do diabo como servo de Deus  a tentao de J. O diabo ousa questionar a estabilidade da f de J, e Deus lhe d permisso para test-la. "Pois 
bem", diz Deus, "tudo o que ele possui est nas suas mos; apenas no toque nele" (J 1.12). Observe que Deus d a permisso e estabelece os parmetros da luta. 
J passa no teste e satans se queixa, afirmando que J teria cado se fosse forado a enfrentar a dor. Mais uma vez, Deus d permisso e, novamente, d os parmetros: 
"Ele est nas suas mos", diz para satans, "apenas poupe a vida dele" (2.6).
       Embora a dor e as perguntas sejam abundantes, no final, a f e a sade de J so maiores do que nunca. Mais uma vez, talvez no entendamos a razo para o 
teste, mas conhecemos a sua fonte. Leia este versculo do ultimo capitulo. Os familiares de J "o consolaram e o confortaram por todas as tribulaes que o SENHOR 
tinha trazido sobre ele" (42.11, nfase minha).
       Satans no tem poder, exceto aquele que Deus lhe d.
       Mesmo quando parece vencer, satans perde. Martinho Lutero acertou em cheio quando descreveu o diabo como ferramenta de Deus, uma enxada usada para cuidar 
do jardim de Deus. A enxada nunca corta o que o jardineiro pretende preservar e nunca preserva o que o jardineiro pretende arrancar. Com certeza, uma parte do castigo 
de satans  a frustrao que ele sente em servir, sem querer, como uma ferramenta para criar um jardim para Deus. Satans  usado por Deus para aperfeioar os fieis.
       Deus tambm usa o diabo para:
2. Despertar os que dormem. Centenas de anos antes de Paulo, outro lder judeu lutou contra seu ego, mas perdeu. Saul, o primeiro rei de Israel, se consumiu de cimes. 
Davi, o filho mais novo de uma famlia que cuidava de ovelhas, roubou a cena. Tudo em Davi era melhor do que em Saul: ele cantava melhor, impressionava mais as mulheres 
e at matou os gigantes que Saul temia. Mas, em vez de comemorar as habilidades dadas por Deus a Davi, Saul ficou loucamente hostil. Deus, em um visvel esforo 
para despert-lo desta nevoa de cimes, recrutou a ajuda de seu relutante servo, satans. "No dia seguinte, um esprito maligno mandado por Deus apoderou-se de Saul 
e ele entrou em transe em sua casa" (I Samuel - 18:10).

       Observe um principio serio: h momentos em que o corao fica to duro e os ouvidos to insensveis que Deus nos leva a sofrer as conseqncias de nossas 
escolhas. Nesse caso, o demnio foi liberado para atormentar Saul. Se Saul no bebia do clice da bondade de Deus, que passasse ento um tempo bebendo do clice 
da fria do inferno: "Que ele seja levado ao desespero para que possa ser trazido novamente para os braos de Deus".2
       O Novo Testamento refere-se a incidentes em que a mesma disciplina foi aplicada. Paulo castiga a igreja de Corinto por tolerar a imoralidade. Sobre um adultero 
na igreja, ele diz: "Entregue esse homem a satans, para que o corpo seja destrudo, e seu Esprito seja salvo no dia do Senhor" (1 Corntios 5.5).
       Outro exemplo de tal ao  o caso de Himeneu e Alexandre, dois discpulos que naufragaram na f e influenciaram os outros de modo negativo. "Os quais entreguei 
a satans", diz Paulo para Timteo, "para que aprendam a no blasfemar" (1 Timteo 1.20).
       Por mais drstico que parea, Deus, na verdade, permitir que uma pessoa vivencie o inferno na terra, na esperana de despertar a f dessa pessoa. O amor 
santo faz a escolha difcil que consiste em levar o filho a sofrer as conseqncias de sua rebeldia.
       A propsito, ser que isso no ajuda a explicar o mal desenfreado que existe no mundo? Se Deus nos permite sofrer as conseqncias de nosso pecado e o mundo 
est cheio de pecadores, ento o mundo ser repleto de pecados. No era isso o que Paulo queria dizer no primeiro capitulo de Romanos? Depois de descrever aqueles 
que adoram a criao, e no o Criador, Paulo diz: "Deus os entregou a paixes vergonhosas" (Romanos 1.26). Deus gosta de ver a angustia e os vcios de seus filhos? 
No mais que um pai gosta de disciplinar um filho. Mas o amor santo faz escolhas difceis.
       Lembre-se de que a disciplina deveria resultar em misericrdia, no em misria. Alguns santos so despertados por tapinha no ombro, enquanto outros precisam 
de um safano na cabea. Satans recebe o chamado.
       Ele tambm  convocado para:
3. Ensinar a igreja. Talvez a ilustrao mais clara de como Deus usa satans para cumprir seus propsitos seja encontrada na vida de Pedro. Veja a advertncia que 
Jesus lhe faz: "Simo, Simo, satans pediu vocs para peneir-los como trigo. Mas eu orei por voc, para que sua f no desfalea. E quando voc se converter, fortalea 
os seus irmos" (Lucas 22.31,32).
       Mais uma vez, observe quem est no controle. Mesmo tendo um plano, satans teve de obter permisso. "Foi-me dada toda autoridade nos cus e na terra", explicou 
Jesus, e esta  a prova (Mateus 28.18). O lobo no pode chegar  ovelha sem a permisso do Pastor, e o Pastor s permitir o ataque se, a longo prazo, a dor compensar 
o ganho.
       O propsito deste teste  prover um testemunho para a igreja. Jesus estava permitindo que Pedro passasse por uma provao para que ele pudesse encorajar seus 
irmos. Talvez Deus esteja fazendo o mesmo com voc. Deus sabe que a igreja precisa de testemunhos vivos do seu poder. Sua dificuldade, sua doena, seu conflito 
esto preparando voc para que seja uma voz de encorajamento para seus irmos. Tudo que voc precisa  lembrar destas palavras:
No sobreveio a vocs tentao que no fosse comum aos homens. E Deus  fiel; Ele no permitir que vocs sejam tentados alem do que podem suportar. Mas, quando 
forem tentados, Ele mesmo lhes providenciar um escape, para que o possam suportar.
(1 Corntios 10.13)

Vocs planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem.
(Genesis 50.20)


CAPTULO
5
O GOSTO AMARGO DA 
VINGANA
       
       
       Justia ou vingana?  a justia que exige que aqueles que fazem o mal contra nossa sociedade devam ser punidos por esta mesma sociedade. Mas justia  muito 
diferente de vingana. Vingana  uma questo de corao. A vingana diz: "Espere. Vou pegar voc!"
       Quando somos magoados ou ofendidos, no demora muito para que nos vejamos querendo acertar as contas com aqueles que esto em divida conosco.
       No h algum que lhe deva algo? Uma desculpa? Uma segunda chance? Um novo comeo? Uma explicao? Um agradecimento? Uma infncia? Um casamento? Pare e pense 
nisso (o que no o incentivo a fazer por muito tempo), e voc poder fazer uma lista de muita gente que est em divida para com voc. Seus pais deveriam ter sido 
mais protetores. Seus filhos deveriam ter sido mais gratos. Seu cnjuge deveria ser mais sensvel. Seu Pastor deveria ter sido mais atencioso.
       O que voc vai fazer com os que esto em divida com voc? As pessoas de seu passado meteram as mos no seu bolso e levaram o que era seu. O que voc vai fazer? 
Poucas perguntas so mais importantes; lidar com a divida  algo que est na essncia de sua felicidade.
       Jesus disse: "Pois se perdoarem as ofensas um dos outros, o Pai celestial tambm lhes perdoar. Mas se no perdoarem uns aos outros, o Pai celestial no lhes 
perdoar as ofensas" (Mateus 6.14,15).
       Jesus no questiona a realidade de suas feridas. Ele no duvida que tenham pecado contra voc. A questo no  a existncia da dor; a questo  o tratamento 
da dor. O que voc vai fazer com suas dividas?
       O escritor Dale Carnegie fala sobre uma visita ao Yellowstone Park em que viu um urso pardo. O grande animal estava no centro de uma clareira, alimentando-se 
de coisas que eram deixadas no campo. Por vrios minutos, ele se regalou sozinho; nenhuma criatura ousava se aproximar. Alguns minutos depois, um gamb atravessou 
a campina em direo a comida e se acomodou ao seu lado. O urso no protestou, e Carnegie soube por que. "O urso pardo", disse ele, "sabia como era alto o preo 
de se vingar". 1
       Seriamos inteligentes se aprendssemos a fazer o mesmo. Ajustar contas  algo que custa caro.
       Para comear, voc paga um preo que envolve seu relacionamento com outras pessoas.
       Voc j percebeu nos filmes de faroeste como o caa-recompensas viaja sozinho? No  difcil entender por que isso acontece. Quem quer andar com um sujeito 
que ajusta contas para ganhar a vida? Quem quer se arriscar a t-lo como inimigo? Mais de uma vez, ouvi um homem despejar a sua raiva. Ele achava que eu estava ouvindo, 
quando, na verdade, eu estava pensando: Espero nunca fazer parte de sua lista. Que tipos briguentos esses caa-recompensas! Melhor deix-los sozinhos. Ande com gente 
irritada e voc poder ser atingido por uma bala perdida. Acertar dvidas  uma ocupao solitria.  tambm uma ocupao prejudicial  sade.
       Voc paga um preo alto fisicamente.
       A Bblia coloca ainda mais claramente esta questo: "O ressentimento mata o insensato" (J 5.2). Isso me faz lembrar de uma velha conversa de Amos e Andy. 
Amos pergunta o que  aquela garrafinha que Andy est usando em volta do pescoo.
       - Nitroglicerina - ele responde.
       Espantado por ver que Andy estava usando um colar de nitroglicerina, Amos pede uma explicao. Andy fala sobre um colega que tinha o pssimo hbito de bater 
no peito das pessoas enquanto estava falando.
       - Isso me deixa louco - diz Andy. - Estou usando essa nitroglicerina porque, da prxima vez em que ele me bater, vou explodir seu dedo.
       Andy no  o primeiro a se esquecer que, ao tentar se vingar, voc se machuca. J estava certo quando disse: "Voc, que se dilacera de ira!" (J 18.4). Voc 
j percebeu que descrevemos as pessoas que nos aborrecem como pessoas que "enchem a pacincia"? A que pacincia estamos nos referindo? Com certeza, no a delas. 
Somos ns que sofremos.
       Se estiver interessado em ajustar contas, voc nunca descansar. Como isso se d? Para comear, seu inimigo talvez nunca chegue a pagar o que deve. Por mais 
que voc pense que merea uma desculpa, pode ser que quem lhe deve desculpa no concorde com tal avaliao. O racista talvez nunca se arrependa. O chauvinista talvez 
nunca mude. Por mais que tenha argumentos em sua busca por vingana, talvez essa justia nunca lhe d nada. E, se voc ganhar algo, isso lhe bastar? 
       Pensemos, de fato, nisso. At onde a justia  suficiente? Imagine seu inimigo por um instante. Imagine-o amarrado a uma coluna para ser chicoteado. O homem 
de braos fortes que est com o chicote se vira para voc e pergunta: "Quantas chicotadas?" E voc d um numero. O chicote bate, o sangue se espalha e o castigo 
 infligido. Seu inimigo cai ao cho e voc vai embora.
       Voc est feliz agora? Sente-se melhor? Est em paz? Talvez por um tempo sim; mas logo outra lembrana vir  tona e outra chicotada ser necessria. Quando 
tudo isso termina?
       Isso para quando voc leva a serio as palavras de Jesus: "Pois se perdoarem as ofensas um dos outros, o Pai celestial tambm lhes perdoar. Mas se no perdoarem 
uns aos outros, o Pai celestial no lhes perdoar as ofensas" (Mateus 6.14,15).
       "Trata-me como trato o meu prximo." Voc est ciente de que  isso que est dizendo para o seu Pai? "D-me o que dou a ele. Concede-me a mesma paz que concedo 
aos outros. Deixa-me desfrutar da mesma tolerncia que ofereo." Deus ir trat-lo como voc trata os outros.
       Voc gostaria de ter paz? Ento, pare de infernizar o seu prximo. Quer desfrutar da generosidade de Deus? Ento deixe que os outros desfrutem da sua. Gostaria 
de ter convico de que Deus o perdoa? Acho que voc sabe o que precisa fazer.
       

CAPTULO
6
NO SILENCIO,
DEUS FALA
       
       Quando estamos magoados, s vezes encontramos a cura falando sobre essa magoa - com um amigo, com um conselheiro, com Deus. Mas, por fim, chega o momento 
de parar de falar e comear a ouvir.
       H vezes em que falar  violar o momento... Nesses casos, o silencio representa o maior respeito. O termo que mais bem define instantes como esses  reverencia.
       Essa foi uma lio que J, - o homem na Bblia mais tocado pela tragdia e pelo desespero - aprendeu. Se J tinha um defeito, seu defeito era a lngua. Ele 
falava demais.
       No que algum pudesse culp-lo; a calamidade lanou-se sobre o homem como uma leoa sobre um bando de gazelas, e, quando o alvoroo passou, mal havia restado 
uma parede em p ou um ente querido com vida. Os inimigos mataram o gado de J, e relmpagos destruram suas ovelhas. Ventos fortes deixaram sob os escombros seus 
filhos que faziam festa.
       J sabia como era perder aqueles a quem amava quando a casa veio abaixo.
       J nem teve tempo de enterrar seus filhos antes de ver a lepra em suas mos e as terrveis feridas em sua pele. Sua esposa, ainda que muito compassiva, lhe 
disse: "Amaldioe a Deus, e morra". Seus quatros amigos se aproximaram de seu leito como sargentos instrutores, dizendo-lhe que Deus  justo e que a dor  conseqncia 
do pecado, e que, to certo quanto dois mais dois so quatro, J devia ter algum antecedente criminal em seu passado para sofrer assim.
       Cada um tinha sua prpria interpretao de Deus, e cada um falava em alto e bom som sobre quem  Deus e por que Deus fizera aquilo tudo. Eles no foram os 
nicos a falar sobre Deus. Quando os acusadores de J pararam, J deu sua resposta. De um lado para o outro eles andavam...
J abriu a boca... (3.1)
Ento respondeu Elifaz, de Tem... (4:1)
Ento J, respondeu... (6.1)
Ento Bildade, de Su, respondeu... (8.1)
Ento J, respondeu..... (9.1)
Ento Zofar, de Naamate, respondeu... (11.1)
       
       Este pingue-pongue verbal se estende por 23 captulos. Por fim, J fica cheio dessas "respostas". Chega de conversa fiada em grupo!  hora de fazer um discurso 
importante. Ele segura o microfone com uma mo e o plpito com a outra, e comea. Por seis captulos, J da suas opinies sobre Deus. Desta vez, o capitulo comea 
com: "E J prosseguiu", "E J prosseguiu", "E J prosseguiu". Ele define Deus, explica Deus, examina Deus. Tem-se a impresso de que J sabe mais sobre Deus do que 
o prprio Deus!
       Chegamos ao capitulo 37 do livro antes de Deus limpar a garganta para falar. O capitulo 38 comea com estas palavras: "Ento o SENHOR respondeu a J".
       Se a sua Bblia for igual a minha, h um erro nesse versculo. As palavras esto perfeitas, mas o tamanho da fonte est errado. As palavras deveriam ser assim:
       ENTO O SENHOR RESPONDEU A J!
       Deus fala. Rostos se voltam para o cu. Ventos inclinam as arvores. Os vizinhos se lanam nos abrigos para tempestades. Gatos sobem correndo nas arvores e 
cachorros se enfiam no meio das moitas. "Est ventando, querido. Melhor tirar os lenis do varal." Deus no precisou abrir mais a sua boca para falar que J soubesse 
que deveria manter a sua fechada.
Vou fazer-lhe perguntas,
E voc me responder. 
"Onde voc estava, quando lancei os alicerces da terra?
Responda-me, se  que voc sabe tanto.
Quem marcou os limites das suas dimenses?
Talvez voc saiba!
E quem estendeu sobre ela a linha de medir?
E os seus fundamentos, sobre o que foram postos?
E quem colocou sua pedra de esquina,
Enquanto as estrelas matutinas juntas cantavam e todos os anjos se regozijavam?"
(38.3-7)

       Deus inunda o cu de perguntas e J no pode deixar de fazer outra coisa seno entender: somente Deus define Deus. Voc precisa conhecer o alfabeto antes 
de poder ler; e Deus diz para J: "Voc nem conhece o ABC do cu, muito menos tem vocabulrio". Pela primeira vez, J fica quieto. Silenciado pela enxurrada de perguntas.
       
Voc j foi at as nascentes do mar, j passeou pelas obscuras profundezas do abismo?
Acaso voc entrou nos reservatrios de neve, j viu os depsitos de saraiva?
 voc que d fora ao cavalo ou veste o seu pescoo com sua crina tremulante?
Voc o faz saltar como gafanhoto?
 graas  inteligncia que voc tem que o falco ala vo e estende as asas rumo ao sul?
(38.16,22; 39.19,20, 26)

       J mal tem tempo para balanar a cabea em resposta a uma pergunta antes de outra lhe ser feita. A implicao do Pai  clara: "Assim que voc for capaz de 
lidar com estas simples questes relacionadas a armazenar estrelas e esticar o pescoo do avestruz, teremos uma conversa sobre dor e sofrimento. Mas, at l, no 
precisamos de seus comentrios".
       J entendeu a mensagem? Acho que sim. Oua a resposta de J:
Sou indigno; como posso responder-te? Ponho a mo sobre a minha boca.
(40.4)

       Observe a mudana. Antes de ouvir Deus, J no conseguia falar o suficiente. Depois de ouvir Deus, ele no conseguia falar nada.
       O silencio era a nica resposta adequada. Houve um tempo na vida de Thomas Kempis em que ele, tambm, cobriu sua boca. Ele havia escrito muita coisa sobre 
o carter de Deus. Mas, um dia, Deus o confrontou com tamanha graa santa que, daquele momento em diante, todas as palavras de Kempis "passaram a parecer palha". 
Ele deixou de lado a caneta e nunca mais escreveu outra linha. Ele ps a mo sobre sua boca.
       O termo usado para tais momentos  reverencia.
       Jesus ensinou-nos a orar com reverencia ao exemplificar para ns o "Santificado seja o teu nome". Essa frase  uma petio, no uma declarao. Um pedido, 
no um anuncio. "S santificado, Senhor. Faze o que for preciso para ser santo em minha vida. Ocupa o teu legitimo lugar no trono. Exalta-te. Engrandece-te. Glorifica-te. 
S Senhor, e eu ficarei em silencio."
       A palavra santificado vem da palavra santo, e a palavra santo significa "separar". A origem da palavra pode ser remontada a uma palavra antiga que significa 
"cortar". Ser santo, ento,  estar acima da norma, ser superior, ser extraordinrio. O santo habita um nvel diferente daquele em que o restante de ns vive. O 
que nos assusta no o assusta. O que nos preocupa no o preocupa.
       Sou mais um apreciador da terra firme do que um marinheiro, mas j andei de barco o suficiente para saber qual  o segredo para encontrar terra em meio a 
uma tempestade... Voc no mira outro barco;  claro que no fita as ondas; tem em perspectiva um objeto no afetado pelo vento - uma luz na praia - e vai em direo 
a ela. A luz no  afetada pela tempestade.
       Ao buscar Deus, voc faz o mesmo. Quando voc tem em perspectiva o nosso Deus, se concentra naquele que vence qualquer tempestade que a vida pode trazer. 
       Como J, voc encontra paz na dor.
       Como J, voc cobre sua boca e fica quieto.
       "Parem de lutar! Saibam que eu sou Deus!" (Salmos 46.10). Esse versculo contm um mandamento com uma promessa.
       Qual o mandamento? Parem de lutar. Cubram a boca. Dobrem os joelhos.
       Qual a promessa? Vocs sabero que eu sou Deus.
       O barco da f viaja em guas tranqilas. A crena anda nas asas da espera.
       Em meio as suas tempestades dirias, e nesta tempestade que assolou nosso pas e at o mundo inteiro, faa questo de ficar quieto e de ter Deus em perspectiva. 
Deixe que Deus seja Deus. Deixe que Ele o banhe em sua gloria para que tanto seu flego como seus problemas sejam absorvidos de sua alma. Fique quieto. Fique em 
silencio. Esteja aberto e disposto. Reserve um momento para ficar quieto e saber que ele  Deus.
       

CAPTULO
7
NA TEMPESTADE, 
ORAMOS
       
       Quando acontecem desastres, o Esprito humano responde estendendo a mo para ajudar aqueles que so afetados. As pessoas ficam em filas para doar sangue. 
Milhes de dlares so doados para ajudar vitimas e suas famlias. Equipes de resgate trabalham por horas interminveis. Mas o esforo mais essencial  realizado 
por outra equipe valente. Sua tarefa? Guardar e envolver o mundo em orao. Aqueles que oram mantm vivas as fogueiras da f. Na maioria dos casos, nem sabemos seus 
nomes. Foi o que aconteceu com uma pessoa que orou em um certo dia, h muito tempo.
       Seu nome no  importante. Seu aspecto  imaterial. Seu sexo no vem ao caso. Seu titulo  irrelevante. Essa pessoa  importante no por conta de quem foi, 
mas sim pelo que fez.
       Ela foi at Jesus em nome de um anjo. Seu amigo estava doente, e Jesus poderia ajudar. Era preciso que algum fosse at Jesus, por isso esse algum foi. Outros 
se preocupavam com o homem doente em outro sentido. Alguns levavam comida, outros ofereciam tratamento; outros ainda consolavam a famlia. Cada papel foi importante. 
Cada pessoa foi til, mas ningum foi mais vital do que aquele que foi at Jesus.
       Joo escreve: "Ento as irms de Lazaro mandaram [algum] dizer a Jesus: 'Senhor, aquele a quem amas est doente'" (Joo 11.3, nfase minha).
       Algum levou o pedido. Algum percorreu o caminho. Algum foi at Jesus em nome de Lazaro. E, uma vez que algum foi at Ele, Jesus respondeu.
       Na economia do cu, as oraes dos santos so itens valiosos. O apostolo Joo concordaria. Ele escreveu a historia de Lazaro e foi cuidadoso ao mostrar a 
seqncia: a cura comeou quando o pedido foi feito.
       Vale notar a frase que o amigo de Lazaro usou. Ao falar para Jesus sobre a doena, ele disse: "Senhor, aquele a quem amas est doente". Ele no baseou seu 
apelo no amor imperfeito de quem estava necessitado, mas no amor perfeito do Salvador. Ele no disse: "Aquele que o ama est doente". Ele disse: "Aquele a quem amas 
est doente". O poder da orao, em outras palavras, no depende daquele que faz a orao, mas daquele que a escuta.
       Podemos e devemos repetir a frase de diversas formas. "Aquele a quem amas est cansado, triste, com fome, sozinho, com medo, deprimido". As palavras da orao 
variam, mas a resposta nunca muda. O Salvador ouve a orao. Ele silencia o cu para no perder uma palavra. Ele ouve a orao. Voc se lembra da frase do Evangelho 
de Joo? "Ao ouvir isso, Jesus disse: 'Essa doena no acabar em morte'" (Joo 11.4, nfase minha).
       O Mestre ouviu o pedido. Jesus parou tudo o que estava fazendo e prestou ateno nas palavras do homem. Esse mensageiro annimo foi ouvido por Deus.
       Voc e eu vivemos em um mundo barulhento. Conseguir a ateno de algum no  uma tarefa fcil. A pessoa deve estar disposta a por tudo de lado para ouvir: 
abaixar o rdio, afastar-se do monitor, dobrar a beira da pagina e deixar o livro de lado. Quando algum est disposto a silenciar qualquer outra coisa para poder 
nos ouvir claramente, isso  um privilgio. Na verdade, um raro privilgio.
       Por isso, a mensagem de Joo  importante. Voc pode conversar com Deus porque Ele ouve. Sua voz  importante no cu. Ele o leva muito a serio. Quando voc 
est na presena de Deus, os servos se viram para voc para ouvir sua voz. Voc no precisa ter medo de ser ignorado. Ainda que voc gagueje ou tropece, ainda que 
o que tenha a dizer no impressione ningum, Deus ir se impressionar - Ele vai ouvir. Ele ouve a suplica aflita dos idosos na casa de repouso; ouve a confisso 
brusca de um prisioneiro no corredor da morte. Quando os alcolatras pedem misericrdia, quando o cnjuge procura direo, quando o empresrio sai da rua e entra 
na capela, Deus ouve.
       Com ateno. Com cuidado. As oraes so estimadas como jias preciosas. Purificadas e capacitadas, as palavras sobem em uma deliciosa fragrncia at o nosso 
Senhor. "Da mo do anjo subiu diante de Deus a fumaa do incenso" (Apocalipse 8.4). Incrvel. Suas palavras no param at que cheguem ao trono de Deus.
       Basta um chamado e a esquadrilha do cu aparece. Sua orao na terra aciona o poder de Deus no cu.
       Voc  este algum no reino de Deus. Suas oraes levam Deus a transformar o mundo. Voc talvez no entenda o mistrio da orao - no precisa entend-lo. 
Mas tudo isso est claro: as aes no cu comeam quando algum ora na terra. Que pensamento maravilhoso!
       Quando voc fala, Jesus ouve.
       E quando Jesus ouve, o mundo  transformado.
       Tudo porque algum orou.

CAPTULO 
8
PELA PERSPECTIVA 
DE DEUS
       
       
       No gostamos de dizer adeus a quem amamos. Mas temos de faz-lo. Por mais que tentemos evit-lo, por mais relutantes que estejamos para discutir a questo, 
a morte  uma parte muito real da vida. No final, todos ns devemos soltar a mo dos que amamos, deixando-os nas mos daquele que no vimos.
       Voc consegue se lembrar da primeira vez em que a morte o forou a dizer adeus? A maioria de ns consegue. Eu consigo. Quando eu estava na terceira serie, 
cheguei da escola, um dia, surpreso ao ver o caminho de meu pai na entrada de casa. Eu o encontrei em seu banheiro fazendo a barba.
       - Seu tio Buck faleceu hoje - ele disse. A noticia fez com que eu me sentisse triste. Eu gostava do meu tio. Eu no o conhecia bem, mas gostava dele. O acontecimento 
tambm me deixou curioso.
       No funeral, ouvi palavras do tipo partiu, passou dessa para melhor, se foi. Esses eram termos estranhos. Eu me perguntava: Partiu para onde? Passou dessa 
para qu? Foi-se por muito tempo?
        Sem duvida, descobri desde ento que no sou o nico que tem perguntas sobre a morte. Oua qualquer discusso sobre a volta de Cristo e algum perguntar: 
"Mas e aqueles que j morreram? O que acontece com os cristos entre a sua morte e a volta de Jesus?".
       Ao que parece, a igreja de Tessalnica fez a mesma pergunta. Veja as palavras do apostolo Paulo para ela em 1 Tessalonicenses: "Irmos, no queremos que vocs 
sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que no se entristeam como os outros que no tem esperana" (4.13).
       A igreja em Tessalnica j havia enterrado sua parcela de entes queridos. E o apostolo queria que os membros que restaram estivessem em paz com relao aquele 
que se foram. Muitos de vocs j enterraram entes queridos tambm. E assim como Deus falou com eles, ele fala com vocs.
       Se, neste ano, voc comemorar o aniversario de casamento sozinho, Deus falar com voc.
       Se seu filho foi para o cu antes de ir para o jardim de infncia, Deus falar com voc.
       Se voc perdeu um ente querido, vitima da violncia, se aprendeu mais do que gostaria de saber sobre uma doena, se seus sonhos foram enterrados enquanto 
o caixo descia a terra, Deus falar com voc.
       Ele fala com todos ns que ficamos ou ficaremos em p na terra fofa ao lado de um tumulo aberto. E, para ns, Ele d esta palavra de confiana: "No queremos 
que vocs sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que no se entristeam como os outros que no tem esperana. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos 
tambm que Deus trar, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram" (1 Tessalonicenses 4.13,14).
       Deus transforma nosso sofrimento desesperado em um sofrimento cheio de esperana. Como? Dizendo que veremos nossos entes queridos novamente.
       No  nisso que queremos acreditar? Desejamos saber que nossos entes queridos esto seguros com a morte. Desejamos a certeza restabelecida de que a alma vai 
imediatamente ficar com Deus. Mas temos coragem de acreditar nisso? Podemos acreditar nisso? Segundo a Bblia, podemos.
       A Bblia, surpreendentemente,  reservada com relao a esta fase de nossa vida. Ao falar sobre o perodo entre a morte e a ressurreio do corpo, a Bblia 
no grita; ela apenas sussurra. Mas, na confluncia desses sussurros, ouve-se uma voz firme. Essa voz autoritria assegura-nos que, na morte, o cristo imediatamente 
entra na presena de Deus e desfruta de uma comunho consciente com o Pai e com aqueles que foram antes dele.
       De onde tiro estas idias? Veja alguns dos sussurros:
Porque para mim o viver  Cristo e o morrer  lucro. Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E j no sei o que escolher! Estou pressionado 
dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que  muito melhor.
(Filipenses 1.21-23)

       A linguagem aqui sugere uma partida imediata da alma aps a morte. Os detalhes gramaticais so um pouco entediantes, mas levaram um estudioso a sugerir: "O 
que Paulo est dizendo aqui  que, no momento em que ele parte ou morre, neste momento ele est com o Cristo". 1
       Outra dica vem da carta que Paulo escreveu aos corntios. Talvez voc j tenha ouvido a frase "estar ausente do corpo e habitar com o Senhor". Paulo usou-a 
pela primeira vez em 2 Corntios 5.8: "Preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor".
       No gostamos de dizer adeus aqueles a quem amamos. Mas, se o que a Bblia diz sobre o cu for verdade - e eu creio que seja - ento a orao final, a ultima 
orao respondida,  o cu.
        justo que choremos, mas no h necessidade de nos desesperarmos. Eles tiveram dor aqui; no tm dor l. Eles lutaram aqui, no tm lutas l. Voc e eu talvez 
estejamos curiosos para saber por que Deus os levou para casa; mas eles no esto. Eles entendem. Esto, neste momento, em paz na presena de Deus.
       

FAZE-O NOVAMENTE,
SENHOR
UMA ORAO PARA OS
MOMENTOS DE AFLIO
       
       QUERIDO SENHOR,
       A nossa esperana ainda  a de despertarmos. A nossa esperana ainda  a de abrirmos os olhos sonolentos e pensarmos: que sonho horrvel. Como isso pde ter 
acontecido?
       Estamos tristes, Pai.
       E por isso nos achegamos a ti. No pedimos ajuda a ti; ns a suplicamos. No pedimos; imploramos. Sabemos o que tu podes fazer. Lemos as historias. Refletimos 
nas historias e agora suplicamos: "Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente".
       Tu te lembras de Jos? Tu o resgataste do poo. Tu podes fazer o mesmo por ns. Faze-o novamente, Senhor.
       Tu te lembras dos hebreus no Egito? Tu protegeste seus filhos contra o anjo da morte. Temos filhos tambm, Senhor. Faze-o novamente.
       E Sara? Tu te lembras de suas oraes? Tu as ouviste. Josu? Tu te lembras de seus medos? Tu o inspiraste. E as mulheres no tumulo? Tu ressuscitaste sua esperana. 
As duvidas de Tom? Tu as levaste embora. Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.
       De cativo, tu transformaste Daniel em um conselheiro do rei. Tomaste Pedro, o pescador, e o fizeste Pedro, o apostolo. Por causa de ti, Davi deixou de conduzir 
ovelhas para conduzir exrcitos. Faze-o novamente, Senhor, pois precisamos de conselheiros hoje; precisamos de apstolos; precisamos de lideres. Faze-o novamente, 
querido Senhor.
       Sobretudo, faze novamente o que fizeste no Calvrio. O que vimos nesta tragdia, tu viste ali naquela sexta-feira. A inocncia acabou. Deus estava sofrendo. 
Mes estavam chorando. O mal estava danando. Assim como as sombras caram sobre nossos filhos, a escurido caiu sobre o teu Filho. Assim como nosso mundo se despedaou, 
o Filho da Eternidade foi transpassado.
       E, ao anoitecer, a cano mais doce do cu foi o silencio, enterrado atrs de uma pedra.
       Mas tu no hesitaste,  Senhor. Tu no hesitaste. Depois de seu Filho permanecer por trs dias em um buraco escuro, tu rolaste a pedra, bradaste na ter e 
transformaste a sexta-feira mais escura no domingo mais brilhante. Faze-o novamente, Senhor. Transforma este Calvrio em Pscoa.
       Obrigado por estas horas de orao.
       Que tua misericrdia seja sobre todos os que sofrem. Concede aqueles que nos conduzem uma sabedoria que v alem de seus anos e experincia. Tem misericrdia 
das almas que partiram e dos feridos que ficaram. D-nos graa para que possamos perdoar e f para que possamos crer.
       E olha com bondade para a tua igreja. Por dois mil anos tu a tens usado para curar um mundo ferido.
       Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.
       Por meio de Cristo, amm.1
           
***


NOTAS
       
       Captulo 4: o bem triunfa
4. LUTZER, Erwin. A serpente do paraso. Vida, 2a Ed., So Paulo, 1998, 102.
5. Ibid., 111.
       Captulo 5: o gosto amargo da vingana
6. MacARTHUR, John. The pardon of Prayer, fita de udio. Panorama City, Calif.: word of Grace, 1980.
       Captulo 8: pela perspective de Deus
7. HOEKEMA, Antony. A Bblia e o futuro. Cultura crist, So Paulo, 1989, 104.
       Faze-o novamente, Senhor: uma orao para os momentos de aflio
8. Adaptado de uma orao escrita para a America Prays, uma viglia de orao pelo pas em 15 de setembro de 2001.
